De 2 a 6 de julho de 2008

ADRIANA LUNARDI

Adriana Lunardi (1964, Xaxim, Santa Catarina) é escritora, além de editora e roteirista do programa de TV Expedições. Publicou, em 1996, a reunião de contos As meninas da Torre Helsinque. Com Vésperas (2002), comprovou a originalidade apontada em sua estréia ao criar personagens que vivenciam a morte ou o momento da morte de escritoras como Clarice Lispector, Dorothy Parker e Virginia Wolf. Em Corpo estranho (2006), sua primeira incursão no romance, Adriana retoma o tema através de duas personagens radicalmente distintas que, à sua maneira, tecem reflexões a respeito da efemeridade da vida.

Alessandro Baricco

Alessandro Baricco (1958, Turim, Itália) é um dos mais importantes escritores italianos contemporâneos. Formado em filosofia e música, escreveu peças teatrais, ensaios e romances como Oceano mar (1993), City (1999), Sem sangue (2002) e Esta história (2005). Baricco tem carreira próspera no cinema: A lenda do pianista do mar (1998), de Giuseppe Tornatore, é baseado em seu monólogo Novecentos (1994), e o romance Seda (1996) virou filme homônimo, dirigido por François Girard. Este ano estréia como diretor com o filme Lezione 21, do qual também assina o roteiro. A formação em música estimulou ainda uma parceria com a dupla francesa Air, experiência que resultou no disco City Reading (2003).

Ana Maria Machado

Ganhadora do Prêmio Hans Christian Andersen (2001), considerado o Nobel da literatura infanto-juvenil, a jornalista e escritora Ana Maria Machado (Rio de Janeiro, 1941) é autora de mais de 100 títulos, alguns deles publicados em 17 países, somando mais de 18 milhões de exemplares vendidos. Formada em Letras, lecionou na UFRJ e PUC. Durante a ditadura militar, exilou-se em Paris, onde cursou pós-graduação com Roland Barthes. Trabalhou na revista Elle, em Paris, na BBC de Londres e em vários jornais e revistas brasileiros. Em 1979, fundou no Rio de Janeiro a Malasartes, primeira livraria brasileira dedicada exclusivamente a crianças e adolescentes. Também notabilizou-se pela sua produção de literatura para adultos, com o premiado A audácia dessa mulher (1999) e Texturas — sobre leituras e escritos (2001). Desde 2003, Ana Maria Machado ocupa a cadeira 1 da Academia Brasileira de Letras.

Caco Barcellos

Caco Barcellos (1950, Porto Alegre) figura entre os maiores jornalistas investigativos da atualidade no Brasil. Nascido na periferia da capital gaúcha, iniciou a carreira como repórter e passou por jornais e revistas de destaque até entrar para a Rede Globo, emissora onde trabalha até hoje. Recebeu mais de vinte prêmios por reportagens especiais e documentários televisivos, a maioria sobre violência e injustiça social. Seus livros Rota 66 (1992) e Abusado (2003), que abordam a violência policial em São Paulo e o tráfico de drogas nos morros do Rio de Janeiro, suscitaram discussões que ultrapassaram a esfera intelectual e ganharam as ruas. Ambos receberam o Prêmio Jabuti.

Carlos Lyra

Carlos Lyra (1936, Rio de Janeiro) é um dos grandes nomes da Bossa Nova. Em 1959, um ano após a gravação de Chega de saudade, lançou Carlos Lyra – Bossa Nova, disco que logo se tornaria um dos marcos do movimento. Em parceria com Geraldo Vandré, Ronaldo Bôscoli e Vinicius de Moraes, é autor de músicas que marcaram época, como “Se é tarde me perdoa”, “Você e eu”, “Coisa mais linda”, “Minha namorada”, entre outras. Lyra também compôs a trilha sonora da peça Bonitinha, mas ordinária, de Nelson Rodrigues, e é autor da autobiografia Carlos Lyra, eu e a bossa (2008).

Cees Nooteboom

Cees Nooteboom (1933, Haia, Holanda) é o escritor contemporâneo de maior destaque nos Países Baixos. Ensaísta, poeta e expoente da literatura de viagem, tem cinco obras publicadas no Brasil – os romances Rituais (1980), A seguinte história (1991) e Dia de finados (1998), além do livro de viagens Caminhos para Santiago (1992) e de seu romance mais recente, Paraíso perdido (2004). Comparado a Jorge Luis Borges e J. M. Coetzee, cotado com freqüência para o Prêmio Nobel, Nooteboom tece uma prosa rica em experimentos lingüísticos, mas não abre mão do relato de vivências extremas nem da exploração da interioridade dos personagens.

Chimamanda Ngozi Adichie

Chimamanda Ngozi Adichie (1977, Abba, Nigéria) é nome de proa da literatura africana. Aos dezenove anos Adichie mudou-se para os Estados Unidos, onde foi bolsista na Universidade de Princeton. Purple Hibiscus (2003) e Half of a Yellow Sun (2006), pelo qual venceu o Orange Prize de 2007, têm como tema a guerra em Biafra, que entre 1967 e 1970 matou mais de 1 milhão de pessoas. Crítica da forma como a imprensa costuma tratar a África, Chimamanda mostra que a insistência na imagem do africano despossuído e carente esconde uma parcela expressiva e atuante da população, cuja voz merece ser ouvida com mais freqüência.

Cíntia Moscovich

Em Por que sou gorda, mamãe? (2006), Cíntia Moscovich (1958, Porto Alegre) propõe uma espécie de Carta ao pai, de Franz Kafka, porém menos ressentida e triste que a do escritor tcheco. Acerto de contas da personagem central com a mãe e com o próprio corpo, o romance traz melancolia e humor em doses equivalentes. É dessa forma que a escritora – também jornalista, professora e tradutora – parece lidar com os temas que aborda em seus livros, entre eles o judaísmo e a condição feminina. Cíntia é autora da reunião de contos Arquitetura do arco-íris (2004, Prêmio Jabuti e finalista do Prêmio Portugal Telecom) e dos romances Duas iguais (1998) e Mais ou menos normal (2008), entre outros.

Contardo Calligaris

Contardo Calligaris (1948, Milão, Itália) é psicanalista, doutor em psicologia clínica e ensaísta. Radicado no Brasil, vive entre São Paulo e Nova York, onde já foi professor na Universidade de Berkeley e na New School. Autor de diversos livros, entre eles Crônicas do individualismo cotidiano (1996), A adolescência (2000) e Cartas a um jovem terapeuta (2004), Calligaris também assina uma coluna no jornal Folha de S.Paulo, com a qual, nos últimos anos, vem desempenhando papel de relevo como formador de opinião a partir de reflexões sobre cinema, choque cultural, relações amorosas, política, violência e exclusão social.

David Sedaris

David Sedaris (1956, Binghamton, Estados Unidos) iniciou a carreira em 1995 em programas humorísticos de rádio e logo passou a escrever para revistas como Esquire e New Yorker. A voz peculiar, as narrativas auto-irônicas e formalmente impecáveis garantiram o sucesso do comediante. Grande parte de sua obra se compõe de contos autobiográficos, em que a infância no interior dos Estados Unidos, a vida familiar e o homossexualismo são tratados com sarcasmo e lirismo. Seus principais livros são Pelado (1997), Eu falar bonito um dia (2000) e De veludo cotelê e jeans (2004), que lhe valeu o título de humorista do ano pela Time Magazine. When You Are Engulfed on Flames (2008) é sua mais recente publicação.

Elisabeth Roudinesco

Ativa participante da vida social e política de seu país, Elisabeth Roudinesco (1944, Paris) defende o potencial emancipador da psicanálise e relativiza o tratamento individual, que considera conservador.
Também condena a cultura farmacológica e defende o uso de medicamentos apenas como auxílio no tratamento através da palavra. É autora de mais de vinte livros, entre os quais os dois volumes da História da psicanálise na França (1994), o Dicionário de psicanálise (com Michel Plon) (1997), o ensaio A família em desordem (2002) e O paciente, o terapeuta e o Estado (2004), entre outros.

Emilio Fraia

Emilio Fraia (1982, São Paulo), jornalista e escritor, é repórter das revistas Trip e Piauí. Entre 1999 e 2003, editou a revista literária Givago, um fanzine criado paradivulgar textos, ilustrações e fotografias de novos artistas. Em parceria com a escritora Vanessa Barbara escreveu O verão do Chibo (2008), seu primeiro romance.

Fernando Vallejo

Apesar de ter nascido na Colômbia, foi no México, país onde vive até hoje, que Fernando Vallejo (1942, Medellín) desenvolveu sua carreira cinematográfica e literária, após ter seu primeiro filme censurado pelo governo militar. A difícil experiência na Colômbia, porém, marcaria para sempre sua obra, caracterizada por um forte componente autobiográfico.
Temas como violência, drogas e política dividem espaço com filosofia, gramática e biologia. A virgem dos sicários (1994), seu livro mais famoso, trata das conseqüências do narcotráfico para a realidade social colombiana. Em 2003, o romance El desabarrancadero (2001) recebeu o Prêmio Rómulo Gallegos, um dos mais prestigiados da literatura em língua espanhola.

Humberto Werneck

Humberto Werneck (1945, Belo Horizonte) é jornalista e escritor. Ao longo de trinta anos de carreira, passou por alguns dos principais veículos da imprensa nacional e celebrizou-se pela qualidade da prosa jornalística e pela apuração minuciosa. Entre suas obras destacam-se O desatino da rapaziada (1992), retrato da geração de jornalistas e escritores mineiros da qual fizeram parte Otto Lara Resende, Paulo Mendes Campos e Fernando Sabino, e a recém-lançada biografia do músico e boêmio modernista Jaime Ovalle. Werneck também assina a organização de Minérios domados (1993), reunião da poesia de Helio Pellegrino, a seleção de crônicas Boa companhia (2005) e a reportagem biográfica incluída em Tantas palavras (2006), songbook de Chico Buarque.

Inês Pedrosa

Inês Pedrosa (1962, Coimbra) é escritora e jornalista. Foi tradutora, diretora da revista Marie Claire de Portugal entre 1993 e 1996, e atualmente é colunista do semanal Expresso, um dos maiores jornais portugueses. Feminista, já se manifestou a favor do direito ao aborto e do casamento entre pessoas do mesmo sexo, além de ter sido porta-voz oficial da candidatura à presidência do socialista Manuel Alegre em 2005. No mesmo ano, Inês escreveu sua primeira peça de teatro, Duas mulheres e uma cadela, baseada em textos de dois de seus livros, Nas tuas mãos (1997, vencedor do Prêmio Máximo de Literatura de Portugal) e Fica comigo esta noite (2003).

Ingo Schulze

Jornalista e escritor, Ingo Schulze (1962, Dresden, Alemanha) é um dos principais representantes do movimento Wenderoman, identificado pela temática da unificação alemã. Autor de veia irônica e sarcástica, foi classificado como um dos “seis melhores jovens romancistas da Europa” pela New Yorker e teve um conto publicado pela revista Granta. Histórias simples da Alemanha Ocidental (1998) reúne narrativas que tematizam a relação da sociedade alemã com a nova realidade do país, após a queda do muro. Schulze também publicou a reunião de contos 33 instantes de felicidade (1995) e o romance Vidas novas (2005), entre outros.

João Gilberto Noll

João Gilberto Noll (1946, Porto Alegre) é dono de uma das escritas mais provocantes e inovadoras da literatura contemporânea brasileira. Escritor e jornalista, Noll ganhou o Prêmio Jabuti com cinco de suas obras, entre elas O cego e a dançarina (1981), Harmada (1994) e A céu aberto (1997). A máquina do ser (2006), seu último romance, recebeu o Prêmio Bravo!Prime de melhor livro. Extremamente visuais, suas obras flertaram com o cinema em diversas ocasiões, caso do conto “Alguma coisa urgentemente”, que virou o filme Nunca fomos tão felizes, de Murilo Salles, vencedor do prêmio de melhor roteiro do Festival de Gramado em 1984.

José Miguel Wisnik

José Miguel Wisnik (1948, São Vicente, São Paulo) é músico, compositor, ensaísta e professor de literatura brasileira na Universidade de São Paulo. Seu livro mais recente, Veneno-remédio (2008), é um alentado estudo sobre o futebol no Brasil, que dá testemunho da amplitude de temas por que passeia o autor. Entre seus livros mais importantes destacam-se Coro dos contrários (1977), O som e o sentido (1989) e Sem receita – Ensaios e canções (2004). Wisnik também compôs para teatro, cinema e dança, com destaque para as trilhas sonoras do Teatro Oficina e do Grupo Corpo.

Lorenzo Mammì

Lorenzo Mammì (1957, Roma) é crítico de arte e doutor em filosofia pela usp, onde dá aulas de filosofia medieval e durante treze anos lecionou história da música. Radicado no Brasil desde 1987, publicou dezenas de artigos e escreveu dois livros: Volpi (2002), que combina pesquisa e crítica sobre a produção do pintor Alfredo Volpi, e Carlos Gomes (2001), uma análise minuciosa das obras do compositor. Também organizou os livros Carlito Carvalhosa (2000), Três canções de Tom Jobim (2004) e as edições brasileiras de Vida de Rossini (1995), de Stendhal, e de Clássico anticlássico (1999), de Giulio Carlo Argan.

Lucrecia Martel

Um dos grandes nomes do cinema contemporâneo argentino, a roteirista e diretora Lucrecia Martel (1966, Salta, Argentina) estreou com o curta-metragem Rey muerto, em 1995. Em seguida, os longas O pântano (2001) e A menina santa (2004) a consagraram pela atmosfera sufocante, a atenção particular aos efeitos sonoros da narrativa e a câmera, sempre muito próxima dos personagens. O pântano garantiu a Lucrecia o prêmio de melhor direção no Festival de Havana de 2001 e A menina santa foi indicado à palma de ouro em Cannes em 2004.

Luiz Fernando Carvalho

Luiz Fernando Carvalho (1960, Rio de Janeiro, Brasil) é cineasta e diretor de televisão. Seu longa-metragem de estréia foi Lavoura arcaica (2001), baseado na obra homônima de Raduan Nassar. O filme recebeu mais de cinqüenta prêmios nacionais e internacionais. Na televisão, dirigiu a minissérie Os Maias, baseada na obra de Eça de Queirós. Em 2005, criou e dirigiu as duas jornadas da microssérie Hoje é dia de Maria, inspirada em contos da tradição oral brasileira. Atualmente, Luiz Fernando Carvalho realiza o projeto Quadrante, que estreou em junho de 2007 com a adaptação do romance A pedra do reino, de Ariano Suassuna. O próximo Quadrante é Capitu, uma adaptação do romance Dom Casmurro, de Machado de Assis.


 
Marcelo Coelho

Marcelo Coelho (1959, São Paulo) é jornalista, escritor de ficção e ensaísta. É membro do conselho editorial da Folha de S.Paulo, jornal em que assina uma coluna no caderno Ilustrada desde 1990. Tempo médio (2007) reúne suas melhores crônicas publicadas na Folha. Marcelo escreveu dois livros de ficção, Noturno (1992) e Jantando com Melvin (1998), e também os volumes Montaigne (2001) e Crítica cultural: Teoria e prática (2006), ambos publicados pela Publifolha. Formado em ciências sociais e mestre em sociologia, publicou ensaios em coletâneas como Civilização e barbárie e A crise da razão, organizadas por Adauto Novaes, e lançou dois livros infantis, A professora de desenho e outras histórias (1995) e Minhas férias (1999).

Martín Kohan

Martín Kohan (1967, Buenos Aires, Argentina) é escritor, crítico literário e professor de Teoria literária nas universidades de Buenos Aires e da Patagônia. Autor de dois livros de contos, três de
ensaio e sete romances, entre eles Los cautivos (2000), Duas vezes junho (2002), Segundos afuera (2005), Museo de la revolución (2006) e Ciencias morales (2007), vencedor do prêmio Herralde. Em seus romances, Kohan enfoca as formas diluídas e indiretas do controle social: a partir do dia-a-dia de um colégio portenho ou da Copa de 1978, constrói um quadro de muitos matizes sobre a ditadura argentina e seu significado para a história recente do país.

Michel Laub

Michel Laub (1973, Porto Alegre) formou-se em direito, mas abandonou a profissão após um ano para ser escritor e jornalista. Atualmente afastado do mercado editorial – já foi editor-chefe e diretor de redação da revista Bravo! – Michel é coordenador de publicações e cursos do Instituto Moreira Salles, edita um blog em que escreve sobre cinema, literatura e música e dedica-se ao trabalho como escritor. Seus três romances publicados – Música anterior (2001), Longe da água (2004) e O segundo tempo (2006) – são todos ambientados num universo tipicamente turbulento, o da adolescência, em que figuram temas como a passagem para a vida adulta e os conflitos familiares.

Misha Glenny

Misha Glenny (1958, Londres, Inglaterra) é jornalista especializado em Europa Central e Oriental. A cobertura que fez da queda do comunismo deu origem a The Rebirth of History: Eastern Europe in The Age of Democracy (1990), seu primeiro livro. Correspondente da bbc na Europa Central, acompanhou de perto a crise da Iugoslávia, experiência que serviu de base para The Fall of Yugoslavia: The Third Balkan War. O livro, publicado em 1992, é considerado a mais abrangente obra já escrita sobre a região. O esforço de apuração, aliado à capacidade analítica, tornou os livros de Glenny referência constante para o estudo das relações internacionais. Sua última publicação, McMáfia (2008), é uma extensa investigação sobre o crime organizado internacional.

Modesto Carone

Modesto Carone (1937, Sorocaba, São Paulo) é crítico, escritor e o maior especialista brasileiro em Franz Kafka. Recentemente concluiu a tarefa de traduzir toda a obra do escritor tcheco a partir dos originais em alemão. Carone lecionou literatura na Universidade Estadual de Campinas (unicamp), na Universidade de São Paulo (usp) e na Universidade de Viena (Áustria). O universo kafkiano é influência evidente em seu trabalho como escritor, que inclui os livros de contos As marcas do real (1979) e Resumo de Ana (1998), ambos vencedores do Prêmio Jabuti, além de Aos pés de Matilda (1980), Dias melhores (1984), Por trás dos vidros (2007) e os ensaios Metáfora e montagem (1974) e A poética do silêncio (1979).

Nathan Englander

Nathan Englander (1970, Long Island, Estados Unidos) está na lista dos “20 escritores para o século 21” da New Yorker e teve seu conto “Devotion” selecionado para figurar na antologia de 2007 da revista Granta. Pertencente à comunidade judaica ortodoxa, faz do questionamento sobre a identidade religiosa um de seus temas diletos, o que lhe garantiu comparações com escritores como Philip Roth e Isaac Bashevis Singer. Após lançar a reunião de contos Para alívio dos impulsos insuportáveis, que venceu o Prêmio pen/Malamud de 2000, o autor publicou no ano passado seu primeiro romance, The Ministry of Special Cases, que conta a história de uma família judia durante a ditadura militar na Argentina.

Neil Gaiman

Ao valer-se de referências à mitologia, à psicologia e outros temas pouco afeitos ao universo adolescente, Neil Gaiman (1960, Portchester, Inglaterra) foi um dos responsáveis por alçar os quadrinhos à recente posição de prestígio no universo literário. Sandman (1989), sua graphic novel mais conhecida, foi chamada por Norman Mailer de “quadrinhos para intelectuais” e rendeu boa parte dos treze prêmios Eisner conquistados por Gaiman. O autor é também roteirista de cinema e de séries televisivas, além de escritor. Entre seus romances, destacam-se Deuses americanos (2001) e Stardust (1998), este último adaptado para o cinema em 2007 em filme homônimo estrelado por Robert De Niro.

Pepetela

Pepetela (1941, Benguela, Angola), nascido Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, é o mais jovem escritor a receber o Prêmio Camões, condecoração máxima da literatura de língua portuguesa. Famoso pela militância política, o sociólogo, escritor e professor foi guerrilheiro, representante do Movimento Popular de Libertação de Angola (mpla) e vice-ministro da Educação em 1975, ano da Independência do país. Sua obra, central para a compreensão da literatura em língua portuguesa produzida fora do Brasil, constitui uma profunda análise do país a partir da temática da formação da nação, e inclui livros como Mayombe (1980), A geração da utopia (1992) e Parábola do cágado velho (1997). Seus livros mais recentes são Predadores (2005) e O quase fim do mundo (2008).

Pierre Bayard

Pierre Bayard (1954, Paris, França) é escritor e professor de literatura francesa. No recente Como falar dos livros que não lemos? (2007), gerou polêmica ao questionar a importância da literatura e discutir em que medida é fundamental ler as obras ditas obrigatórias. Para Bayard, o verdadeiro letrado não é quem leu de tudo, mas quem reconhece o valor de determinada obra para a cultura que o cerca. Como falar dos livros que não lemos? confirma a verve iconoclasta de Bayard, presente também em obras anteriores, como Comment améliorer les oeuvres ratées (2000) e Enquête sur Hamlet (2002).

Richard Price

Richard Price (1949, Nova York) é escritor e roteirista. The Wanderes (1974), seu primeiro romance, baseado na infância no Bronx, foi adaptado e dirigido por Philip Kaufman, de A insustentável leveza do ser (1988). Desde então, escreveu roteiros para filmes como O preço da coragem (1996) e a série televisiva A escuta (2004). Teve parceria bem-sucedida com o diretor Martin Scorsese em duas ocasiões: no longa A cor do dinheiro (1986) e no videoclipe Bad (1995), de Michael Jackson, dos quais assinou o roteiro. Um de seus romances mais conhecidos é Clockers (1992), que virou filme do diretor Spike Lee e foi indicado ao Oscar.

Roberto Da Matta

Roberto Da Matta (1936, Niterói, Rio de Janeiro) foi professor do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde dirigiu o programa de pósgraduação em antropologia social. Mestre e doutor pela Universidade de Harvard, também chefiou o departamento de antropologia e foi professor de antropologia da Universidade de Notre Dame (eua). Em 1995, começou a escrever crônicas para o Jornal da Tarde, de São Paulo, e a partir de 2001 passou a colaborar com o jornal O Estado de S.Paulo. É autor de Carnavais, malandros e heróis, A casa & a rua: Espaço, cidadania, mulher e morte no Brasil, Universo do Carnaval: Imagens e reflexões, O que faz o brasil, Brasil?, Relativizando: Uma introdução à antropologia social, Torre de Babel: Ensaios, crônicas, críticas, interpretações e fantasias, Explorações: Ensaios de sociologia.

Roberto Schwarz

Um dos grandes críticos literários do Brasil, Roberto Schwarz nasceu em Viena, na Áustria, em 1938. Estudou ciências sociais e letras nas universidades de São Paulo, Yale e Paris. Ensinou teoria literária na Universidade de São Paulo e na Universidade Estadual de Campinas. Uma das vozes mais incisivas do ensaísmo brasileiro, escreveu duas obras clássicas sobre Machado de Assis: Ao vencedor as batatas (1977) e Um mestre na periferia do capitalismo (1990). Outros ensaios seus estão reunidos em A sereia e o desconfiado (1965), O pai de família (1978), Que horas são? (1989), Duas meninas (1997) e eqüências brasileiras (1999).

Rodrigo Naves

Rodrigo Naves (1955, São Paulo) é crítico de arte, professor e escritor. Um dos pioneiros no debate sobre artes plásticas no Brasil, firmou-se como uma das vozes mais consistentes da crítica cultural no país. Publicou diversas monografias sobre artistas plásticos, como Amílcar de Castro (1997), Nelson Félix (1998), Goeldi (1999) e Carlito Carvalhosa (2000), além de Forma difícil (1997), série de ensaios sobre arte brasileira que se tornou marco nos estudos do gênero. Em 1998, estreou na ficção com O filantropo, coleção de pequenos contos interligados, e desde então sua produção ficcional tem sido publicada em revistas como Ácaro e Piauí, entre outras. O recente O vento e o moinho (2007) reúne ensaios seus sobre artes plásticas.

Sergio Paulo Rouanet

Personalidade de destaque no meio cultural e político brasileiro, Sergio Paulo Rouanet (1934, Rio de Janeiro) é ensaísta, filósofo, antropólogo e tradutor. Foi responsável pela criação da lei de incentivo fiscal à cultura, a chamada Lei Rouanet, e é membro da Academia Brasileira de Letras desde 1992. Destaca-se também como o tradutor brasileiro das obras do filósofo alemão Walter Benjamin, trabalho pelo qual lhe foi concedida a medalha Goethe. De suas obras, destacam-se Imaginário e dominação (1978), Teoria crítica e psicanálise (1983), Édipo e o anjo – Itinerários freudianos em Walter Benjamin (1983), Da cultura global à universal (2003) e Riso e melancolia (2007), sobre Machado de Assis.

Tom Stoppard

O dramaturgo inglês Tom Stoppard (1937, Zlín, República Tcheca) consagrou de tal forma seu estilo que se tornou adjetivo: stoppardian é o termo usado para classificar autores e peças que utilizam a via do humor para dialogar com conceitos filosóficos. Em 1966 estreou nos teatros com Rosencrantz e Guildenstern estão mortos, em que a saga de Hamlet é recontada a partir da perspectiva de personagens secundários na trama original. Autor de mais de vinte peças e roteiros de cinema, é famoso pela criação de diálogos cheios de ironia e sarcasmo, potencializados pelo uso de duplos sentidos, trocadilhos e múltiplos pontos de vista.

Vanessa Bárbara

Vanessa Barbara (1982, São Paulo), jornalista e escritora, é editora do almanaque virtual A Hortaliça e colaboradora da revista Piauí. Nos moldes do “novo jornalismo”, que se baseia em técnicas literárias para narrar fatos reais, escreveu o recente O livro amarelo do terminal (2008), livroreportagem sobre o Terminal Rodoviário Tietê. Ao lado do parceiro e escritor Emilio Fraia, é autora da novela O verão do Chibo (2008).

Vitor Ramil

Vitor Ramil (1966, Pelotas, Rio Grande do Sul) se divide entre música, teatro e literatura. Após a estréia aos dezoito anos com Estrela estrela (1981), o artista lançou sete discos, entre eles o experimental A paixão de V segundo ele próprio (1984) e Ramilonga (1997), que traz os primeiros conceitos da Estética do frio. Espécie de teoria sociológica desenvolvida pelo autor sobre a identidade sulista e seu isolamento em relação ao Brasil, a tese viraria livro em 2004. Também lançou Pequod (1999) e Satolep (2008), livro que dialoga com o disco Satolep sambatown (2007).

Xica Sá

Xico Sá (1963, Crato, Ceará), jornalista e escritor, cresceu no Recife e hoje vive em São Paulo. É colunista da Folha de S.Paulo e escreve para as revistas Trip e tpm, entre outras. Também é colaborador da banda Mundo Livre s/a, uma das fundadoras do movimento Manguebeat. Boêmio convicto, Xico Sá é dono de um estilo cáustico e bem-humorado, que pode ser observado nas crônicas de seu blog, O carapuceiro. É autor de Modos de macho e modinhas de fêmea (2003), Nova geografia da fome (2003, em parceria com o fotógrafo U. Dettmar) e A divina comédia da fama (2004). Foi co-roteirista do filme Deserto feliz (2007), de Paulo Caldas.

Zoë Heller

Zoë Heller (1965, Londres) é escritora e jornalista. Colaboradora do jornal inglês Daily Telegraph e das revistas London Review of Books e New Yorker, escreveu o romance Everything You Know (1999) e foi finalista do Booker Prize de 2003 com Anotações sobre um escândalo. O livro, que aborda a história do relacionamento entre uma professora e seu aluno de quinze anos, deu origem ao filme Notas sobre um escândalo, de 2006, estrelado por Judi Dench e Cate Blanchett. Seu livro mais recente é The Believers (2008), sobre o dia-a-dia de uma família nova-iorquina.

FONTE: www.flip.org.br
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