Vista do Morro Defensor Perpétuo

É incrível como erros escritos na história e comentados continuamente se tornam verdades absolutas.

Alguns historiadores escreveram e isso veio passando de boca em boca até os dias de hoje sem ter sido questionado! “ 1666 data do requerimento de Martin Correia Vasqueanes, Governador do Rio de Janeiro dirigido ao Rei de Portugal – Dom Afonso VI suplicando fazer Vila em Paraty para 40 famílias. Requerimento este bem fundamentado, finalizando por se prontificar pagar todas as despesas com a instalação dela, de vez, que a invasão Holandesa deixou o país exaurido de recursos de toda espécie.”

Um dos historiadores ainda coloca a fonte (pág. 53 do 3º vol. De Pizzarro; e Pags. 123 e seguinte, do 2º vol. De “História Geral do Brasil).

O fato é que Martin Correa Vasqueanes não era Governador do Rio de Janeiro em 1666. Seu pai, Duarte Correia Vasqueanes é que foi governador por três vezes, sendo a última em substituição a Salvador Correia de Sá e Benevides entre 1648 a 1649.

Em 1666 era governador Pedro de Mello 1662 a 1666 e depois deste veio Pedro Mascarenhas de Lencastre, entre 1666 a 1670. Sendo assim, não era governador o tal Martin Correia Vasqueanes e a data real de emancipação é 1660 conforme a revolta do Cap. Domingos Gonçalves de Abreu, validada pelo governador Salvador Correa de Sá e Benevides, filho do Governador Martin de Sá que empreitou em 1597 a caça aos Tamoios em defesa dos Goianases do vale do Paraíba a primeira expedição caça índios do Brasil. E Apoiada pelo Capitão mor de São Vicente e itanhaem Jorge Fernandes da Fonseca.

“O Capitão Domingos Gonçalves de Abreu em 1660, organiza uma emancipação de Paraty através de ato público, um movimento popular. A Emancipação política neste período não tinha necessidade de autorização real, uma vez que o capitão mor de São Vicente e Itanhaem , Jorge Fernandes da Fonseca apoiou a emancipação e o próprio Governador do Rio de Janeiro em 1660, Salvador Correia de Sá e Benevides em seu terceiro governo, no dia 21 de agosto de 1660, beneficia Paraty com o mando de se melhorar os “Caminhos da Serra”, que mais tarde viria a ser conhecido como o “Caminho do Ouro”, Estrada Real! Ato que beneficiou muito Paraty durante a revolta da cachaça!”

Em tempo: Martim Correia Vasques foi um administrador colonial português. Participou do Governo interino da capitania do Rio de Janeiro, que na época englobava as regiões dos atuais estados de São Paulo e Minas Gerais, entre 15 de outubro de 1697 a 15 de março de 1700 (Sendo também Governador interino Francisco de Castro Morais), para assim permitir a subida do Governador Artur de Sá e Menezes à região das Minas. Tomou posse pela primeira vez em 15 de outubro de 1697 na ausência do governador, que partiu neste mês para São Paulo onde permaneceu até 16 de julho de 1699.

No seu governo interino, criou uma Companhia de Ordenanças de pretos forros, origem remota do Regimento dos Homens Pardos, mais tarde formado pelo Marquês de Lavradio. Governou o Rio de Janeiro, junto com o bispo Dom Francisco de São Jerônimo de Andrade e Gregório de Castro Morais, entre 1704 e 1705. Portanto, estes poderes foram após 1660/1667!

D. Francisco de São Jerônimo (bispo) – Martim Correia Vasques – Gregório de Castro Morais – Junta governativa de abril de 1704 a agosto de 1705.

Renan Pinto, é Guia de Turismo credenciado pela EMBRATUR desde 1999, especializado em Atrativos Naturais – Mata Atlântica. De família tradicional de Paraty estuda a história local desde criança. Tem várias matérias publicadas em diversos jornais, foi professor do curso de guias do Senac em 2005, ministrou e ministra vários cursos na área de turismo e história local em Paraty. Contatos: Cel: 24 9915-9119 / E-mail: guiarenan@ig.com.br

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