Arte Contemporânea em Paraty
Prêmio Belvedere em novembro/2013

PRÊMIO BELVEDERE DE ARTE CONTEMPORÂNEA EM PARATY – DE 08 A 10 DE NOVEMBRO DE 2013

Vocação para as artes é um dos bens imateriais de Paraty. Por aqui já fizeram – e fazem – história muitos artistas nativos. Sem contar que, ao longo do tempo, aportam na cidade talentos de várias partes do mundo, em busca de um porto seguro para suas criações. Pintores, aquarelistas, gravuristas, escultores, fotógrafos, homens, mulheres, gente de todas as idades que chega e se inspira com o caprichado cenário dessa natureza exuberante e do casario impecável que desenha as ruas em traços de passado colonial. É frequente a surpresa de um novo ateliê: há mais de trinta na cidade e o mais recente é do casal Eliana Daffre e Walter Guerra, ela aquarelista, ele um escultor premiado. Assim como é muito comum encontrar aqui e ali alguém diante de um cavalete ou de bloquinho na mão, encantando-se com a cena real sendo transposta para a tela em branco… Toda essa vontade de fazer arte é a cara de Paraty!

Neste mês de novembro, porém, a vez é da arte contemporânea, que invadiu sem cerimônia espaços, ruas, esquinas e ateliês do Centro Histórico, provocando novos olhares, novas reflexões, um novo jeito de estar na cidade. Quase tudo em função do 4º Prêmio Belvedere Paraty, iniciativa do artista e arquiteto italiano Cesare Pergola, que há quase cinco anos escolheu a cidade para viver e montar sua galeria, a Belvedere (www.belvedereparaty.com).

Ebulição criativa

Nada menos que catorze espaços foram ocupados por obras de dezenas de artistas de várias regiões do Brasil, alguns em começo de carreira, a maioria já com uma trajetória firme e de sucesso. Entre os destaques, o convidado de honra do Prêmio, Carlos Fajardo, paulistano de 1941, veterano em bienais de São Paulo, Veneza e Mercosul, e que atualmente está ligado à galeria paulistana Raquel Arnaud. Fajardo instalou no pátio da Casa de Cultura uma enorme pirâmide invertida de tijolos, obra que mereceu uma boa conversa do artista com o público em uma das palestras durante o evento. E a própria Casa da Cultura, espaço nobre da cidade, agrega até domingo 17/11, a exposição das obras selecionadas para o Prêmio, que apontou vencedora a artista de Campinas, SP, Mayra Martins Redin, 31 anos, com a foto Rio. Outros participantes foram alvo das atenções, entre eles Clara Benfatti, com sua Cidade Branca nº2; Janaína Mello com a instalação Esperando Godot; Cecília Walton e suas gavetas na instalação Coleções; Raphael Couto com a fotoperformance Parábola; João César de Melo com a tela Densidade e Danielle Hittmair com seu Ponto de vista da paisagem.

Ao todo, foram 39 os artistas finalistas e mais de cinquenta foram envolvidos numa verdadeira festa da Arte Contemporânea, simbolizada por um feixe de tubos coloridos, instalado bem no centro da Praça da Matriz. O evento ainda gerou uma rica troca de experiências com as chamadas residências artísticas: vários ateliês renomados da cidade receberam artistas de fora, a exemplo de Patrícia Sada, que recebeu Danielle Carcav, de Natal, RN, e suas pinturas da série Lugar de Salvar ; o ceramista Dalcir Ramiro, que hospedou Marco Magalhães e sua obra Ode ao Vazio; Patrick Allien fazendo dupla com Ramonn Vieitez; os círculos viciantes da artista local Patrícia Gibrail abrindo espaço no ateliê para o mural de Luis Christello e, entre outros, Fernando Fernandes e Sergio Atilano recebendo a arte explosiva de Rodolpho Parigi.

Como mostras paralelas, novembro em Paraty ainda exibe geometrias instigantes de Milton Mota, no espaço Iphan, e As Cores Móveis, de Renata Rosa, além de obras de Evelyn Ruman e da série inédita Matemática da Paisagem, de Cesare Pergola, na Galeria Belvedere.

Arte na rua

Mas não são apenas os espaços de galerias e ateliês que sugerem bons momentos diante de obras instigantes. Em Paraty, a rua, os paredões e os jardins urbanos diante do mar também servem de palco para o espetáculo da arte. Passeio obrigatório é ver de perto, ali diante do cais, a exposição a céu aberto de Aécio Sarti, Traço Masculino. E que ninguém estranhe quando estiver passando pelo Centro Histórico e se deparar com projeção de obras pelas paredes de algum casarão. Isso é coisa natural em Paraty, ainda mais neste mês de novembro.

Cidade-inspiração, conto aqui em primeira mão uma novidade que vai esquentar ainda mais essa vocação natural da cidade: o internacional movimento Urban Sketchers (www.facebook.com/urbansketchers), que a cada ano reúne centenas de pessoas em alguma cidade significativa do mundo para desenhar ao ar livre, escolheu Paraty como sede do encontro de 2014 – será entre os dias 27 e 30 de agosto.

O último foi um sucesso em Barcelona e tudo indica que esse encontro promete ser sucesso também aqui. Artistas como Ricardo e Marília Inke, José Andreas e Paulo Sergio Gomes, ao lado de outros e de desenhistas amadores já se engajaram e começaram a se encontrar informalmente aos domingos, na Praça da Matriz. Com um bloco na mão, alguns lápis ou pincel e tintas, passear por Paraty também pode ser assim: um estímulo mais que perfeito para a vontade de fazer arte.

 

Clique nas imagens abaixo para ampliar e ver as legendas:

Histórias de vida e de lugares sempre me interessaram. Como jornalista, sou movida a ideias e boas pautas. Desde 2004 escolhi viver em Paraty, onde sou mais leve e contemplativa. Trabalho em casa, no meu escritório com alma e vista para o verde, e não me desconecto. Assumo completamente que o ambiente digital é uma das minhas praias preferidas, ainda mais agora, integrada à equipe do www.paraty.com.br . Escrever sobre Paraty, dirigindo-me a quem mora por aqui e a quem chega para curtir a cidade, é uma das minhas grandes fontes de prazer e inspiração. Outras são a fotografia e a cor azul, que me levaram a criar o blog http://adoroazuis.blogspot.com.br, para expressar o que encontro de azul no mundo. Claudia Ferraz

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