Recreação na Casa da Cultura com Bruno Coqueiro
Recreação na Casa da Cultura com Bruno Coqueiro

Dezenas de praias lindas, cachoeiras, banhos de rio, piscina na pousada, passeio de barco, brincadeiras na praça com direito a tomar sorvete no Centro Histórico… Tudo isso é um programão de férias para a criançada. Mas não é só. Paraty tem mais. O ano inteiro há atrações especiais para as crianças, não só para as que moram na cidade, mas também as que chegam para passear com a família. E se papai e mamãe quiserem uma folguinha, vale a pena ver aqui os bons programas infantis que costumam fazer a meninada curtir e se aventurar pelo mundo do imaginário, numa cidade rodeada de mar e montanhas, que para os pequenos pode bem parecer um livro de histórias, quem sabe de aventuras ou de príncipes e princesas…

 

Passeio de carruagem

Passeio de carruagem, como uma princesa
Passeio de carruagem, como uma princesa

Uma viagem no tempo, puxada a cavalo, para entender brincando não só a história de Paraty, mas também a do Brasil. Ana Luiza, de 5 anos, turista mirim de Araraquara, ainda não se interessa por tudo isso, mas se sentiu uma princesa ao passear de carruagem com a família pelas ruas de pedra, em meio ao casario colonial, com portas e janelas de muitas cores. Ela reparou: “Em cada casa é uma cor diferente!”. E o passeio, será que foi gostoso? “Balança, mas é bom, nem dá medo, o cavalo é muito manso e obedece”, comentou a menina ao final, já descendo da carruagem.O trajeto dura meia hora e costuma percorrer dezoito pontos turísticos do Centro Histórico, entre eles as igrejas, a velha cadeia, a casa do príncipe Dom João de Orleans e Bragança, a Casa da Cultura, os casarões mais antigos e bem cuidados, o cais… Enquanto a carruagem segue, o guia vai contando os casos mais pitorescos do passado da cidade, muitas vezes fazendo o contraponto com os dias de hoje. Há doze carruagens disponíveis, cada uma delas podendo levar cinco pessoas (mais o condutor), segundo as normas da Associação de Carruagens de Paraty, criada em 2002.

O disputado burrinho Gato Mole na Praça da Matriz
O disputado burrinho Gato Mole na Praça da Matriz

Mas neste verão surgiu um passeio alternativo ali na Praça da Matriz, de onde saem as carruagens e onde fica de vez em quando o burrinho Gato Mole. Xodó do menino Átila, de 10 anos, o animal bem pequeno faz sucesso com a criançada, que adora brincar com ele e dar uma voltinha rápida pela praça (5 minutos custam 5 reais), sob os olhos atentos do dono.

 

Passeio de Carruagem: ponto de partida na Praça da Matriz. Das 10 às 18 horas, todos os dias da semana. Preço: 20 reais por pessoa (criança, sempre acompanhada por um adulto, não paga).

 

 

 

Sábado da Criança na Casa da Cultura

Brincando e fazendo mandala na Casa da Cultura. Foto Ana Paula Silva
Brincando e fazendo mandala na Casa da Cultura. Foto Ana Paula Silva

Finalzinho da tarde (agora no verão a partir das 19 horas), sempre aos sábados, a vez é da criança no pátio da Casa da Cultura, com uma variedade de atrações que estimulam a criatividade, o controle motor, a livre expressão, mas tudo em clima de brincadeira. Quem costuma comandar a recreação durante a primeira hora é o arte-educador Bruno Coqueiro, sempre cheio de mil ideias: teatrinho, movimentos corporais, desenho, percussão… Na sequência, até 21 horas, há contação de histórias e oficinas, com vários especialistas no assunto, artistas e educadores experientes no entretenimento com crianças, a exemplo de Lissandra Brotto, Claudia Ribeiro e Sandra Previ, entre outros. Fizeram sucesso as oficinas de mandala, de argila, de teatro e, entre as brincadeiras, vale cantoria, dança de roda e outras antiguinhas, como passa-anel e telefone-sem-fio… Quem não se lembra?

 

Recreação na Casa da Cultura - Foto Ana Paula Silva
Recreação na Casa da Cultura – Foto Ana Paula Silva

 

O Sábado da Criança, que integra a Programação Permanente da Casa da Cultura, quer ficar melhor ainda: em breve, as tardes vão ganhar também uma sessão de cinema – a matinê dos velhos tempos -,um projeto em parceria com o Cineclube Paraty. “Filme para criança, claro, mas sempre bem selecionado”, anuncia o artista plástico Lauro Monteiro, presidente do cineclube na cidade.

Casa da Cultura: rua Dona Geralda, 177, Centro Histórico, (24) 3371 2325. Sábado da Criança, das 19 às 21 horas, com mudança de horário após o verão. www.facebook.com/casadaculturaparaty Toda a programação é gratuita.

 

Mini-Estrada Real

Casarões centenários e monumentos em réplicas perfeitas
Casarões centenários e monumentos em réplicas perfeitas

Os irmãos Leonardo e Juliana, ele com 13 anos, ela com 9, caminhavam encantados e cheios de curiosidade. Olhando tudo com muita atenção, quase não acreditavam que aquelas pequeninas construções existiram e continuam a existir em muitas cidades brasileiras, para contar a história de um caminho, o Caminho do Ouro, em Paraty. Não faltaram fotos pelo celular, para guardar de lembrança e mostrar aos amigos esse passeio em clima de passado por miniaturas perfeitas da arquitetura colonial de várias cidades brasileiras.

É este o espírito desse parque temático histórico e cultural, inaugurado na estrada Paraty-Cunha em 2010, por ocasião dos 350 anos do Caminho do Ouro – rota de escoamento do rico minério brasileiro para Portugal em fins do século 17 e ao longo do século 18. Dos três mil metros quadrados do parque, dois mil já estão ocupados pelas construções em miniatura, muitas delas com jardins e pátios largos. “Temos como meta ocupar todo o espaço restante e chegar até Diamantina”, conta Marcelo Ladeira Castanheira, o idealizador do Parque e autor das réplicas de monumentos das cidades históricas da chamada Estrada Real. Ele conta que a rota original incluía 199 povoados e cidades, a maioria em Minas Gerais. Mas no Parque, por enquanto, estão representadas as cidades de Paraty, Tiradentes, São João Del Rei, Ouro Preto, Mariana, Sabará, São Lourenço, Caxambu e até Belo Horizonte, que embora não faça parte da rota, guarda importantes monumentos da arquitetura da época.

Museu da Inconfidencia e Praça Tiradentes em Ouro Preto
Museu da Inconfidencia e Praça Tiradentes em Ouro Preto

Há mais de 25 construções quase do tamanho de crianças pequenas, entre casarões centenários, igrejas, fontes, chafarizes, praças. A exemplo do famoso Chafariz de São José em Tiradentes; do Museu da Inconfidência de Outro Preto; do Teatro Municipal de São João del Rei; da Praça da Câmara em Mariana; da Estação Ferroviária em São Lourenço; das igrejas de Santa Rita, em Paraty, e de Nossa Senhora do Ó, em Sabará… Tudo feito à mão e com perfeição de detalhes pelo próprio Marcelo. Ele constrói com fibra de vidro, resina e até pedra-sabão, quando é preciso reproduzir paredes ou colunas de pedras. As cores, os traços da arquitetura, as janelas e portas, nada escapou ao capricho do artesão, que teve a mãe, dona Maria Selma, como incentivadora e parceira. São feitas por ela todas as telhas das réplicas – mais de cem mil, feitas em argila e queimadas a 1.200 graus – e também os bonecos que povoam as cidades da Mini-Estrada. O passeio pode ficar ainda mais interessante com o apoio de um monitor. Afinal, são muitas as informações. “O nosso propósito é mostrar ao longo desse trajeto os principais monumentos que identificam a alma e a história de cada um dos lugares por onde passa a Estrada Real”, ressalta Marcelo, que se entusiasma com a visita de escolas durante o período das aulas. “Recebemos alunos do Rio de Janeiro, de São Paulo e Espírito Santo, principalmente. E nas férias, costumam vir famílias inteiras, mas são as crianças maiores, com mais de 10 anos, as que mais aproveitam”, diz ele.

Parque Mini-Estrada Real: Estrada Paraty-Cunha, Km 2, bairro do Pantanal. www.miniestradareal.com.br No verão, diariamente das 9 às 18h30. Preço: 14 reais (inteira) e 7 reais (meia). Crianças até 5 anos não pagam.

 

Paraty Sport Aventura

O preparo para  voar com segurança na tirolesa
O preparo para voar com segurança na tirolesa

Arvorismo, tirolesa, iniciação ao rapel, passeio por trilhas e passeio de caiaque: tudo com direito a muita emoção, mas com o máximo de segurança, usando material próprio de escalada e sempre com a vigilância de um responsável. Essas são as atividades indicadas para crianças a partir de 4 anos no parque Paraty Sport Aventura.

Entre os cinco tipos de percurso em volta das árvores, há dois específicos para os pequenos: o percurso infantil, chamado de Aventureiro, com duração de cerca de 20 minutos, destinado a crianças com altura mínima de 1 m, inclui doze atividades de arvorismo, com tirolesa no final; e o percurso verde, apelidado de Temkesubir, com 23 atividades, entre tirolesas, ponte de cabo, rede e muita aventura no alto das árvores, para crianças com altura mínima de 1,30 m. “Crianças maiores podem fazer com toda a segurança os percursos de adultos. É só seguir as instruções dos nossos quatro monitores”, alerta o casal Dol, Patrick e Sophie, idealizadores e diretores do Parque, que estão sempre à disposição dos visitantes.

Forte e corajoso sobre as árvores
Forte e corajoso sobre as árvores

O garoto carioca Daniel, de 11 anos, fez o percurso verde e quis repetir. “Fui duas vezes! É demais olhar tudo lá de cima, andar na altura das árvores. O melhor é a tirolesa. Não dá medo, não. Precisa obedecer o monitor”, avisa ele, já planejando uma volta ao parque na sua próxima vinda a Paraty. “Quero andar de caiaque”, anuncia Daniel aos seus pais, que também aproveitaram a tarde em Paraty no alto das árvores.

Para lanches rápidos, há o serviço de uma lanchonete. Recomendações: roupa confortável, tênis (obrigatório, sendo que há possibilidade de aluguel para adultos que chegam desavisados), boa disposição para aventuras.

Paraty Sport Aventura: Rodovia BR-101(Rio-Santos), km 570 sentido Rio de Janeiro, a 800 metros do trevo na entrada de Paraty. (24) 9 8821 9644. Reservas , www.paratysportaventura.com Funciona aos sábados e domingos das 9 às 17 horas. Durante as férias e feriados, aberto todos os dias da semana. Preço: 25 reais o percurso infantil (+10 reais a segunda vez) e 45 reais o percurso adulto (+20 reais a segunda vez)

 

Biblioteca Casa Azul

Vista geral da biblioteca
Vista geral da biblioteca

Especialmente em Paraty, quando se fala em Casa Azul logo se pensa em Flip. E Flip faz a gente pensar em leitura… Mas nem todo mundo sabe que a Casa Azul, além de realizar a Flip a cada início de segundo semestre, desde 2003, atua na cidade o ano inteiro, com outras atividades permanentes. Principalmente atividades de leitura. Uma delas é a Biblioteca Casa Azul, que nasceu em 2005 como a primeira direcionada ao público infantil e jovem em Paraty. Atualmente conta com um acervo de mais doze mil livros, sendo mais de sete mil os títulos infantis.

Mais que nos números, porém, é na sua identidade como espaço cultural e de convivência que a Biblioteca Casa Azul se distingue na cidade. Aberta a pessoas de todas as idades, recebe não só moradores, mas também visitantes, ainda que seu maior público seja de crianças da comunidade local — o bairro Ilha das Cobras, onde funciona desde o ano passado, no piso térreo do sobradão de dois andares com fachada, claro, pintada de azul.

Crianças na biblioteca
Crianças na biblioteca

Thainá, de 8 anos, que estuda numa escola próxima dali, no bairro da Mangueira, é frequentadora assídua, inclusive nas férias: “Venho quase todos os dias, depois da aula. E agora nas férias faço todas as oficinas”, diz a menina. Mesmo crianças menores, que ainda não sabem ler, adoram passar horas brincando e folheando os livros no cantinho de leitura. O Kainã, de 6 anos, é um deles. “Ele ainda não sabe ler muito bem, mas parece ter vontade”, observa uma das monitoras. De olho em tudo o que acontece com as crianças e familiarizadas com o rico acervo que agrega títulos de todos os autores que passaram pelas onze edições da Festa Literária Internacional de Paraty, inclusive os de literatura infantil e para jovens, as três mediadoras de leitura da Biblioteca Casa Azul, Gabi, Gislaini e Maíra, são as “queridinhas” dos pequenos. Estudantes de Pedagogia, elas têm paciência de sobra, gostam de ouvir, falam baixinho e buscam estimular o prazer da leitura e a vontade de conhecer e viver as lindas tradições da cultura paratiense, como dançar ciranda ou aprender a fazer doce de tapioca, por exemplo.

Cozinha e leitura? Sim, porque na Biblioteca Casa Azul, além do salão multiuso, com muitas estantes e livre espaço para brincadeiras, oficinas e contação de histórias, há uma sala de artes, equipada para as oficinas e atividades variadas, junto a uma minicozinha. Nela, quem participou da programação especial de férias da Biblioteca acabou aprendendo a fazer cuscuz de tapioca, pão de frigideira e doce de chocolate. ”O melhor foi comer o que a gente aprendeu a fazer”, disse a Maria Eduarda, de 9 anos, com apoio total do amiguinho Leandro, de 8. Os dois frequentam quase diariamente a Biblioteca.

“Um lugar vivo, dinâmico, que quer se familiarizar com os moradores locais, formar e conquistar leitores, e receber também os visitantes. Nossa meta é manter o espaço sempre ativo”, reforça Gabriela Gibrail, curadora do núcleo de Cultura e Educação da Casa Azul. Por essas e outras, chega a 1.100 pessoas a média mensal de visitantes da Biblioteca. Um número que entusiasma os que trabalham para formar leitores na terra da Flip.

Fica a boa dica para as crianças e adolescentes que adoram ler, quem sabe também para aqueles dias de chuva, quando não dá para ir à praia nem andar de bicicleta ou praticar skate na Praça da Matriz… Um dia daqueles perfeitos para encontrar um cantinho gostoso, se espalhar no tatame e ler um livro bacana.

Biblioteca Casa Azul: ao lado do Cais Pesqueiro, à rua João Ayres Martins, 14, Ilha das Cobras, (24) 3371 7082. De segunda a sexta-feira, das 9 às 18 horas. www.facebook.com/bibliotecacasaazul

 

Veja mais fotos:

Histórias de vida e de lugares sempre me interessaram. Como jornalista, sou movida a ideias e boas pautas. Desde 2004 escolhi viver em Paraty, onde sou mais leve e contemplativa. Trabalho em casa, no meu escritório com alma e vista para o verde, e não me desconecto. Assumo completamente que o ambiente digital é uma das minhas praias preferidas, ainda mais agora, integrada à equipe do www.paraty.com.br . Escrever sobre Paraty, dirigindo-me a quem mora por aqui e a quem chega para curtir a cidade, é uma das minhas grandes fontes de prazer e inspiração. Outras são a fotografia e a cor azul, que me levaram a criar o blog http://adoroazuis.blogspot.com.br, para expressar o que encontro de azul no mundo. Claudia Ferraz

2 Respostas para “PARATY PARA CRIANÇAS”

  1. Lêda Feitoza disse:

    Obrigada pelas dicas!! Um guia cultural para os pequenos que sai da tradicional sugestão praia-passeio de barco. Amei!!!

  2. antonio carlos bil disse:

    É de fundamental importância uma matéria voltada ao publico infantil de paraty e para o que nos visita. parabens

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