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FLIP 2014 - Festa Literária Internacional de Paraty
10h - Mesa 5: Graciliano Ramos: ficha política
(05/07/2013)

10h - Mesa 5: Graciliano Ramos: ficha política

Randal Johnson, Sergio Miceli, Dênis de Moraes
Autores:  Randal Johnson, Sergio Miceli, Dênis de Moraes
Mediação: José Luiz Passos

Vídeo de homenagem: Vídeo com imagens de Raimundo Carrero, escritor, explicando que, na sua cidade, o padre picava fumo com o canivete e que, em Vidas Secas, o escritor cortava as palavras desnecessárias, de igual modo: " Foi assim que comecei a pensar a literatura". Diz Raimundo que o escritor escreve como as lavadeiras que  lavavam roupas no rio próximo. A mulher batia a roupa e a enxágua três vezes, antes de pendurar a roupa alva, no varal. Assim Graciliano procedia com a linguagem de sua literatura.

Randal Jonhson, professor da UCLA, brasilianista, autor de vários livros sobre o cinema novo, prepara extenso estudo dedicado ao perfil político de Graciliano Ramos.

Dênis de Moraes, Professor da Universidade Federal Fluminense, autor da biografia mais interessante sobre Graciliano, O Velho Graça, entre mais de 20 livros, como O Rebelde do Traço: a vida de Henfil, de 1996, e como Vianninha, cúmplice de paixão, de 2013.

Sérgio Miceli, nasceu em 1945, sociólogo, é estudioso das relações entre as intelectualidades e o poder no Brasil. Publicou Intelectuais à Brasileira (2001) e Nacional Estrangeiro (2003), professor titular de Sociologia da USP, e professor convidado da École des Hautes en Sciences Sociales, de Paris, além da Escola Nacional de Antropologia e História do México e nas universidades de Chicago e Sttanford, nos Estados Unidos.

Debate convulsivo, aberto pelo mediador, pede ao brasilianista Randal Jonhson, para explicar seu envolvimento com a literatura de Graciliano Ramos. Disse o entrevistado que, aos 20 anos, leu seu primeiro romance em língua portuguesa: Vidas Secas e ficou inteiramente seduzido.

Considerou que o Graciliano Ramos de 1930, talvez não seja o mesmo de 1945. Contou aspectos da experiência de Graciliano na vida pública em Alagoas, no período de 1928 a 1936, em que foi inspetor escolar. Os relatórios dele apontam para a necessidade de mais escolas, melhor preparo dos profissionais de educação; fala das precárias condições das escolas e das bibliotecas. Fez um relatório do cemitério, da perspectiva de um defunto. Graciliano Ramos foi comerciante em Palmeira dos Índios e, nesse tempo,  obteve apoio de amigos empresários e do governo de Alagoas. Em 1930 foi dirigir em Maceió, a Imprensa oficial.

Dênis de Moraes elogia a FLIP por homenagear Graciliano Ramos, um escritor que não se rendeu ao elogio vicioso. Foi exemplo de acuidade intelectual e de homem público, muito diferente dos administradores e políticos do Brasil de agora (foi interrompido por muitos aplausos, quando descreveu dados da vida de Graciliano Ramos e seu compromisso com o ideal de emancipação humana no Brasil).

O espírito insubordinado de Graciliano estranharia o "rapapé" burguês, que é a FLIP nos dias de hoje. Afirmou que talvez a FLIP permitisse a Graciliano rever sua vida, cuja trajetória turbulenta, o faria chegar a 2013 reconhecido pelo povo, "com a devida sensação de dever cumprido". “Graciliano Ramos foi um revolucionário!”

Sérgio Miceli fez observações de sociólogo. Disse que Graciliano Ramos se tornou prefeito de Palmeira dos Índios, com 36 anos. Ficou nove anos em cargos públicos. Estreou tarde, mas é um período de elaboração dos romances Caetés, São Bernardo  e  Angústia. Os três são escritos na primeira pessoa e giram em torno de um ponto comum: como é que o mundo social da experiência de Graciliano Ramos foi condensado pelos impasses afetivos, amorosos e sexuais dos três protagonistas, respectivamente: João Valério, Paulo Honório e Luís da Silva. De algum modo, cada um dos protagonistas tem o projeto de um livro a escrever.

Quando Sergio Miceli se pôs a contar rapidamente os resumos dos livros, o mediador Luiz Passos o interrompeu, no que foi imediatamente combatido pelo público, que reivindicou o direito de ouvir Sergio Miceli, até o final de sua exposição. A simpatia e flexibilidade do mediador atenderam prontamente ao pedido do público, devolvendo  a palavra ao sociólogo, que concluiu brilhantemente seu raciocínio e foi aplaudido de modo consistente pela platéia.

Miceli explicou a importância dos livros e dos filmes de Nelson Pereira dos Santos (Vidas Secas e Memórias do Cárcere), e de São Bernardo, do cineasta Leon Hiszman.

Mesa 5 inesquecível para a plateia, que aprendeu a grande lição com Graciliano Ramos. Os convidados da mesa debateram aspectos relevantes a respeito do fato de que  Graciliano Ramos representa um paradigma de consciência política, que não se submete aos encantos da corrupção.

As novas palavras de ordem por ele sugeridas seriam: Ética e Resistência, pela clara consciência ética e absoluto senso de respeito à coisa pública.

Aporte final de Dênis de Moraes: Há uma grande diferença entre serviço numa ditadura (por necessidade de sobrevivência, em certo período de vida  de Graciliano Ramos) e servir a uma ditadura.  



TEXTO: Profa. Gloria Cordovani
 



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    Mesa 5 Foto: Ricardo Gaspar
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