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PARATY TURISMO E ECOLOGIA

FLIP 2014 - Festa Literária Internacional de Paraty
15h - Mesa 18: Literatura e revolução
(07/07/2013)

15h - Mesa 18: Literatura e revolução

Milton Hatoum, Mamede Mustafa Jarouche, Vladimir Safatle
Autores: Milton Hatoum, Mamede Mustafa Jarouche, Vladimir Safatle (Tamim Al Barghoutti cancelou a participação)
Mediação: Arthur Dapieve

Tamin Al Barghouti não pode estar presente na FLIP, mas mandou uma carta que foi lida por Ángel Gurría-Quintana, em inglês. Ele explica que não veio pois conseguiu sair do Egito e foi para Londres, de onde embarcaria para o Brasil, mas ficou sem o seu passaporte que foi extraviado ou roubado, ele não sabe. Ele agradeceu muito o esforço da Embaixada Brasileira para que ele conseguisse vir ao Brasil. Mas foi impossível. Ele realmente queria muito vir por considerar uma experiência profissional e pessoal de grande valia. Agradeceu demais à equipe da FLIP e espera poder vir em outra oportunidade. 

Para compor a mesa junto com Mamede, foram convidados os autores Milton Hatoum e Vladimir Safaltle, ambos de origem árabe. 

O mediador Dapieve apresenta os participantes e convida Mamede a ler o poema Jerusalem, de Barghoutti, em árabe. No telão foi apresentada a tradução para o português. 

Mamede conta sua experiência no Cairo. Ele anualmente visita o Egito por conta de seus estudos sobre o Egito antigo. Mas, enquanto estava em uma visita rotineira, segundo ele mesmo diz, o Egito atual se impôs a ele. Eclodiu a Primavera Árabe. Mamede conta que realmente tudo parou, tudo fechou e a circulação ficou inviabilizada. Ele estava hospedado na rua onde os violentos confrontos entre os jovens e a polícia aconteciam. 

Já Safatle visitou o Cairo um ano após o início dos confrontos para poder analisar as tensões e as tendências destes protestos. Ele visitou também a Tunísia e Palestina e fez mais de 60 entrevistas. 

Deste estudo, ele tira as seguintes conclusões:

1. Percebe com clareza a incomunicabilidade entre a civilização ocidental e oriental. A narrativa dos acontecimentos sempre são feitas por pessoas de outras culturas e nunca pelos próprios protagonistas locais. Ele aponta que, na mesma época eclodiram outras crises, na Grécia e Islândia e que a situação e repete. As análises são feitas sempre por outros e a narrativa se torna altamente caricata e estereotipada. 

2. Percebeu melhor qual e a relação da religiosidade nessas sociedades. Os povos aliados dos EUA, são os mais  humilhados, pauperizados . Nesses locais, os partidos islãmicos são os únicos grupos que marcam presença nos locais mais pobres e oferecem uma assistência social, onde o Estado não aparece. Safatle relativiza o conceito que temos de que são povos atrasados. A miséria provocada, inclusive pelas alianças políticas internacionais, favorecem a adesão do povo à religião que, de certa forma, os protege e ajuda em suas necessidades básicas. Ele também alerta que a intervenção religiosa na política não acontece só no Oriente Médio, mas também no Ocidente e e cita o caso de um prefeito americano.

3. Os acontecimento políticos  são uma abertura que gera efeitos que ressoam por muito tempo. 

Hatoum defende que a literatura não pode ser uma doutrina, no caso falando  e política. Uma doutrina exige repetição, usa as mesmas palavras de ordem, é uma mensagem que se repete. A literatura também não pode ser explicativa. Quando ela tenta explicar, se enfraquece. Ele comenta sobre Graciliano Ramos, que dizia que suas únicas armas fracas eram o papel e a caneta. Ele nunca se curvou, nem mesmo ao Partido Comunista. 

Uma pergunta da platéía para o Safatle menciona que, na época da ditadura, tínhamos Chico Buarque e artistas de altíssima qualidade. No entanto, agora, nestes protestos, não temos uma produção artística de mesmo nível. Safatle comenta que, de alguns anos para á, o Brasil está estranho pois, na verdade, quem define a política cultural no Brasil são os diretores de marketing de grandes empresas, que são quem financiam os projetos. Hoje, não há espaço para um movimento. As produções de qualidade acontecem de forma diluída, isolada e a gente nem fica sabendo. Mencionou que em SP acontecem mais de 5000 saraus e nem sabemos disso. 

A mesa finaliza com a leitura de uma crônica, muito oportuna de Milton Hatoum quando, em tom de revolta ele protesta sobre a demolição do estádio Tartarugão de Manaus para dar lugar a uma arena da FIFA. Autores aplaudidos de pé.


TEXTO: Elizabeth Gaspar

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