Golfinhos em Paraty
Como agir no caso de:
Baleia Franca do Sul
Família:
Balaenidae
Nome específico:
Eubalaena australis (Desmoulins, 1822).
Nome comum:
Baleia-franca-do-sul, baleia-franca-austral, baleia-preta, baleia-lisa, baleia-verdadeira, southern right whale
Distribuição:
Encontra-se distribuída em todos os oceanos do Hemisfério Sul. No
Brasil, pode ser observada especialmente a poucos metros da costa
durante os meses de inverno e primavera desde o Rio Grande do Sul até o
sul da Bahia. O litoral de Santa Catarina representa uma importante área
de concentração durante seu período migratório de reprodução e cria
pois suas inúmeras baías e enseadas de águas calmas, propiciam um
habitat ideal para fêmeas acompanhadas de filhotes.
Peso, medidas e características:
É um animal robusto e forte, que pode pesar 100 toneladas.
Alcançam entre 13,5m a 16,5m de comprimento. As fêmeas são ligeiramente
maiores que os machos. Não possui nadadeira dorsal nem pregas ventrais e
a grande cabeça é coberta por calosidades que abrigam crustáceos, como
cracas e piolhos-de-baleia. Sua boca é grande e arqueada. A coloração é
preta com manchas brancas no ventre. Possui de 205 a 270 pares de
barbatanas que medem cerca de 2m de comprimento. As vocalizações incluem
gemidos e estalos.
Como nascem:
Vários machos copulam alternadamente com uma só fêmea. A gestação
dura cerca de 10 meses. As fêmeas dão à luz a um único filhote que ao
nascer mede entre 4,5m e 6m. A amamentação dura aproximadamente um ano. O
intervalo entre as crias é de 2 a 5 anos. Pouco é conhecido ainda sobre
sua biologia reprodutiva.
Comportamento e hábitos:
Apresenta geralmente hábitos costeiros, chegando a poucos metros
da arrebentação, o que pode dar a falsa impressão de que está
encalhando. Devido a espessa camada de gordura seu nado é lento e elas
podem ficar horas boiadas na superfície. No entanto, podem surpreender
com saltos e batidas de nadadeiras. Geralmente, nada sozinha ou em pares
de fêmea e filhote. Grupos maiores, de até 12 indivíduos, podem ser
observados durante o período reprodutivo. São curiosas e se aproximam de
embarcações. O borrifo tem a forma de "V" e pode alcançar até 3m de
altura.
Alimentação:
Alimenta-se principalmente nos meses de verão no interior da
Convergência Antártica. A dieta básica é constituída por krill e
copépodes.
Identificação Individual:
A forma, o tamanho e a disposição das calosidades na cabeça criam
um conjunto único para cada animal ou seja, podem ser consideradas
"impressões digitais". Algumas baleias indentificadas na Península
Valdés, Argentina (outra importante área de concentração na costa leste
da América do Sul), já foram reavistadas no sul do Brasil. "Queixinho"
uma baleia-franca-do-sul fêmea identificada e conhecida pelos
pesquisadores do Projeto Baleia Franca desde 1995, foi reavistada em
agosto desse ano com um novo filhote. Este fato principia a confirmar as
suspeitas dos técnicos do Projeto de que as francas do Brasil seguem um
padrão prioritário de reaparecimento em nossa costa a cada três anos,
como já foi constatado para a Península Valdés. A presença de
"Queixinho" na mesma região da primeira avistagem pode indicar uma
fidelidade do local de ocorrência bem definida.
Inimigos Naturais:
Provavelmente as orcas (Orcinus orca) e os grandes tubarões (Família Carcharhinidae).
Ameaças:
A baleia-franca-do-sul foi um dos principais alvos da caça
baleeira, o que levou a uma drástica redução de suas populações. Em
1935, foi protegida da caça em todo o mundo através de acordos
internacionais. Infelizmente, no Brasil, foi caçada em Santa Catarina
até meados da década de 70 apesar de estar protegida. Por ter hábitos
costeiros, é uma das espécies que sofre maior pressão antrópica, sendo
constantemente molestada pelas embarcações. A poluição, a destruição dos
habitats, o intenso tráfego de barcos e o enredamento acidental em
redes de espera e de cerco constituem as principais ameaças. Colisões,
principalmente de filhotes, com embarcações já foram registrados no Rio
Grande do Sul, Santa Catarina e Rio de Janeiro. Casos de capturas
acidentais em redes e baleias com pedaços de redes presos nos seus
corpos, indicando possíveis enredamentos ou encontros com redes à
deriva, foram constatados no Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Rio de
Janeiro. Já foram observados ferimentos feitos por armas de fogo e
instrumentos cortantes em exemplares encalhados no Rio Grande do Sul.
Status:
Encontra-se incluída na categoria Baixo Risco/Dependendo de
Conservação (IUCN, 1996), está citada na Lista Oficial das Espécies da
Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (IBAMA,1989) e no Apêndice I da
CITES.



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