Paraty - Versão em português Paraty - English version
Baixe o Aplicativo de Paraty

PARATY TURISMO E ECOLOGIA

Conheça os Artefatos Indígenas

Artefatos Guarani

Artefatos Guarani

Aprofundar me na realidade deste continente é um desejo sem princípio; sempre existiu. Transmitido no sangue por meus pais e o deles, inserido no meu espírito desde que aqui renasceu. 
Nós elegemos estas terras.

Esta realidade mágica, rica, transbordante e ainda dolorosa.
Um dia, esse desejo cresceu. Escorregou se entre as gretas de cidades com 500 anos, e repartiu se com a umidade nos campos. Diante das paisagens que encontrou, ele quis procurar a fonte de água nas nascentes, onde até hoje se nutre da sua riqueza.

Desde então permaneço deslumbrada com o universo que me rodeia. O meu desejo abriu as asas e transformou se em queda de água.

O caminho apenas começa, mas a vontade de procurar já se satisfaz com o que encontra.

Com os índios de diversas nações, com os Guarani, com os que vivem em Araponga, com os que também são seus amigos, o mapa deste continente deixa de ser plano demais, novo demais.

Cada objeto artefato neste catálogo tem um uso no cotidiano dos Guaranis Nhande-iva Tambeopé. E sobretudo, uma função que transcende essa finalidade prática, para expressar a visão de mundo, de vida e de morte, do eu, a gente do arco, e do outro, de maneira concreta.

O propósito deste catálogo é demonstrar o contexto de cada um destes objetos, que atualmente estão também à venda. Pois assim participam no jogo de mercado, são muito mais antigos, muito mais, do que a decisão dos Guarani de adotar o comércio, técnica de sobrevivência.

Sete horas da manhã, Aldeia Araponga, Guarani Nhande-iva Tambeopé, município de Paraty, Rio de Janeiro. o sol se apresenta no céu.

Aparece sobre a grande silhueta negra de montanhas, que graças a ele mudam e monstram suas tonalidades. Tanta vegetação saturada de beleza!

A familía Nhande - iva Tambeopé se levanta e, como de costume, eles ocupam o espaço privilegiado debaixo do teto de palma sem paredes de barro, onde recebem o sol nascente.

Outra luz invade o cenário natural que a lua levava horas pintando de prata.

Dentro da cozinha, outros parentes conversam em língua guarani enquanto uma das mulheres reacende a fogueira para preparar o "chipá", pão de milho, ou "mbojapé", pão frito de cada dia.


O sol se derrama sobre a fértil montanha.
Baixo a ramada e dentro da cozinha, a família retoma o trabalho aprendido desde sempre, expressão manual da sua cultura. Cada adulto é um artesão e os mais novos ainda aprendem. Brincam com os materiais, às vezes inovam, imitam, tentam recriar os símbolos, para que floresça a aldeia. As crianças também aprendem o que seus avôs entenderam há mais de umas décadas : que o contato com o "mundo branco" é inevitável. melhor é propiciá-lo de uma boa maneira.

Viver à sorte das flutuações do mercado é coisa de brancos, mas já precisam de produtos e serviços na aldeia.
Trançado e talha em madeira são trabalhos e expressões do guarani que hoje também comercializa.

Questão de um trabalho milenar, adaptado às condições de nossa era.

"Cinco palmeiras sustentam a terra."

Uma ocupa o centro, as outras se encontram nos quatro pontos cardeais: karai: este, tupan: leste, ventos favoráveis: norte, tempo original: sul. Trata se de palmeiras de "pindó", às que se pode subir pois carecem de espinhas.
O "pindó" é de grande importância para os Guarani: da madeira se talham os arcos, com as palmas se cobrem as casas, de suas fibras se fazem as cordas dos arcos, o palmito se consome.

Estas palmeiras são azuis, "ovy". São ditas azuis todas as coisas e todos os seres não mortais, que moram no domínio celeste do divino".


Autora do Catálogo: Liliana González Rojas


Maiores Informações:
Associação Artístico Cultural Nhandeva
E-mail: nhande@terra.com.br

Galeria de Fotos

  • Indios Guarani
    Indios Guarani Foto: Liliana González Rojas
<< Voltar

Termos mais procurados

Copyright © 1996-2011 - Paraty Turismo e Ecologia Criação do site: PWI