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PARATY TURISMO
E ECOLOGIA

(05/07/2012)

Mesa Zé Kleber: A Leitura no espaço público

Antes do início da mesa ouvimos a voz de Drummond ,e pudemos acompanhar pelo telão, o poema “Procura da Poesia”.


O mediador Écio Salles é o coordenador da FLUPP (Festa Literára das UPPs), evento parceiro e, obviamente inspirado na FLIP.


O debate  começa com a apresentação de Alexandre Pimentel, que é o diretor da Biblioteca Parque de Manguinhos, que é mais conhecida como uma região pobre e muito violenta do Rio de Janeiro.


Ele apresenta o projeto do Departamento de Leitura e Conhecimento da Secretaria Estadual de Cultura onde as Bibliotecas Parque têm a função de transformar a realidade das periferias.


Os principais objetivos destes equipamentos são   as democratização do acesso ao conhecimento, a criação de espaços de convivência, a produção de conhecimento e a atuação urbana integrada.


Ele enfatizou em vários momentos de sua fala que o sucesso que vem obtendo parte do rompimento com alguns preconceitos históricos. Por exemplo, o prédio é quase todo de vidro e nunca tiverem problemas de roubos, as oficinas oferecidas nunca são de formação de cabeleireira ou coisa do tipo, o que não tira as pessoas de sua condição atual. Mas, são Laboratórios da Palavra onde um termo é escolhido e trabalhado em várias mídias, Oficinas de teatro, onde as pessoas podem experimentar todas as tarefas ligadas a uma montagem teatral, etc.


Ele frizou em muitos momentos, que não se deve montar uma biblioteca de favela, mas uma boa biblioteca para todos.


A colombiana Silvia Castrillon optou por ler um texto escrito por ela. Começou lendo um texto de Antônio Cândido que fala para se pensar os Direitos Humanos devemos partir do pressuposto de que o que temos direito deve ser o direito dos outros também.
Silvia é uma das criadoras das bibliotecas colombianas que transformaram áreas totalmente degradadas em espaços de grande participação democrática.  Écio recomendou a leitura do livro de Silvia: O Direito e Ler e Escrever.


Ela faz uma abordagem crítica do objetivo da leitura, que foi mudando ao longo do século XX e o atual. No inicío do séc XX, a leitura era um destino, era a maneira de se diferenciar entre os cultos e os incultos, ricos e pobres. A partir do fim do século XX , a leitura ganha um objetivo apenas de lazer, perdendo importância inclusive econômica.  


Silvia conta que as bibliotecas forma planejadas como exemplos de dignificação, onde até a arquitetura é importante nesse processo.
Ao longo da conversa, ambos focaram muito na questão de que a biblioteca tem o papel fundamental de oferecer o acesso à leitura de clássicos e de todo tipo de leitura.


A biblioteca sozinha não resolve a questão da exclusão, pobreza e criminalidade, mas deve estar inserida no projeto que busca soluções.  


A partir das perguntas do público sobre a falta de recursos culturais em cidades do interior do estado ou zonas rurais, ambos reconheceram que ainda há muito por ser feito.


Também Silvia e Alexandre concordaram que as políticas de inclusão e combate à miséria e violência não podem partir da tentativa de eliminar os “nossos riscos”, mas se pautar pelo direito de acesso que as pessoas tem.   


Alexandre disse que o objetivo da leitura não é tornar as pessoas mais dóceis para o Estado, mas, pelo contrário, mais perigosas, mas com outras armas.


O músico e defensor da cultura paratiense, Luiz Perequê chamou a atenção para a participação da população na implantação da Biblioteca Parque da Costa Verde, que será implantada em Paraty. Ele diz que este projeto não é da Casa Azul ou do Governo do Estado, é da população.


Todo foram muito aplaudidos.  

 

TEXTO: Elizabeth Gaspar

Galeria de Fotos

  • FLIP 2012
    Mediador: Écio Salles Foto: Ricardo Gaspar
  • FLIP 2012
    Alexandre Pimentel e Silvia Castrillon Foto: Ricardo Gaspar
  • FLIP 2012
    Mesa Zé Kleber Foto: Ricardo Gaspar
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