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PARATY TURISMO
E ECOLOGIA

(13/08/2014)

Festival da Cachaça de Paraty

Conheça as raízes deste importante evento cultural
As raízes do Festival

O nome original era festival da Pinga. E desde 1982, quando começou a ser realizado, é um dos eventos que se fortalecem como dos mais tradicionais da cidade, criado para celebrar o único produto industrial da região até hoje: a cachaça.” Quem conta essa história é o paratiense Dalcir Ramiro, o conhecido ceramista Cizinho que, no começo dos anos 1980, como comerciante na cidade, tomou a frente da revitalização da Acip, Associação Comercial e Industrial de Paraty. Foi seu primeiro presidente. “O vice era o Dedé (Benedito José Melo da Silva) e havia os secretários, o Luis de Carvalho, a Dila e o Ubiratan. Alugamos a primeira sede da associação no centro histórico e montamos ali uma sede social. Aquele impulso foi fundamental para fortalecer não só a classe dos comerciantes, mas também o grupo produtor de cachaça”, lembra Dalcir.

Ele conta que a ideia do Festival da Pinga nasceu numa das reuniões com os alambiqueiros associados. “O Douglas Reid, um ex-executivo que havia comprado aqui na cidade a produção da cachaça do Joãozinho (príncipe Dom João de Orleans e Bragança), tinha muita visão. Havia batizado de  Maré Alta a sua cachaça, para a qual criava modelos especiais de garrafa, com lançamentos de rótulos diferentes, entre eles o nome Carnaval. Chegou a expor sua cachaça nas lojas da H.Stern, como produto de exportação. E foi dele a ideia de valorizar na cidade a cultura da cachaça em um encontro dos alambiques, visando valorizar o produto. Tudo foi criado com muito entusiasmo, numa ação coletiva dos alambiqueiros.”

Dalcir conta que o formato do 1º Festival da Pinga, em 1982, era muito semelhante ao festival de hoje. “Claro que não tão grande, mas tinha o perfil de festa de Paraty, com estandarte, foguetes, carro alegórico e banda de música tocando pela cidade. Aconteceu durante três dias na Santa Rita, também no mês de agosto. O objetivo era valorizar o produto atraindo turistas e visitantes para aquele período de baixa temporada. O lema era cada um fazer sua barraca, foi incrível o espírito de competição, um mostrando que podia fazer melhor que o outro”, diz ele, gostando de relembrar e apontando os participantes pioneiros: “o Eduardinho (Eduardo José Mello), da cachaça Coqueiro; o Luiz Maurício Mello, da Vamos nessa; o Anibal Gama, da Corisco; e o Douglas Reid, da Maré Alta”.  

Por três anos consecutivos, durante sua gestão na Acip, Dalcir Ramiro viu crescer e ajudou a consolidar o Festival da Pinga. “Nasceu como evento único, com raízes de Paraty, desde o começo sentimos que daria certo. Considero o meu legado para a cidade, fruto da minha atuação como artista e comerciante. E foi uma festa criada para valorizar o produto, não para vender cachaça”, ressalta Dalcir.         

Do time dos pioneiros da história do Festival da Pinga, Eduardo José Mello (Eduardinho), do alambique Coqueiro, a primeira cachaça brasileira a receber o selo de qualidade e excelência do Ministério da Agricultura, reforça a importância cultural da festa, relembrando seu formato original. “No início eram três dias e três noites, sem fechar. Havia um controle rigoroso, não se vendia outra bebida no recinto. O festival foi criado com origem nas festas de família, o que se queria era valorizar a cultura local, por meio da cachaça produzida pelos alambiques e também pela música e pela gastronomia. O principal fruto da história desse Festival foi poder mostrar a cachaça de Paraty para o mundo”, celebra Eduardinho.  


FONTE: Comunicação da Casa da Cultura de Paraty

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