“O projeto começou a partir da observação do lixo que o mar jogava pra fora de manhã e de tarde”, conta Ricardo. “O lixo, aliás, é um dos grandes problemas da Ilha Grande, pois todo ele tem de sair de lá, mas isso só o desloca da ilha para o continente, não soluciona. Hoje, desafio você a encontrar uma garrafa pet jogada na Vila Dois Rios”, relata.E conta que as artesãs fazem belíssimas flores de pet, em versões de ímã de geladeira, cortinas, bijoux, ou simplesmente flores com caules, que ficam muito bem em vasos e arranjos. Um dos artesãos que trabalha com madeira recolhida no mar e madeira morta faz miniaturas dos barcos de verdade e figuras sugeridas pela própria madeira; o outro também produz barquinhos, mas com uma vagem chamada dente-de-macaca, que são bem típicos da região.Há, ainda, bonequinhos de pano vestidos de presidiários, produzidos por uma artesã do Rio de Janeiro, lembrancinhas para os turistas que visitam o museu onde antes havia um presídio.

Para concluir, Ricardo Lima comemora: “Atendemos 40% da população de Vila Dois Rios, que tem 90 pessoas, portanto, são quatro artesãos no projeto: dois homens e duas mulheres”, conclui divertido, sem qualquer sombra de dúvida sobre o sucesso da empreitada e a importância do trabalho de formiguinha que cabe a cada um de nós para melhorar a vida ao redor.

Ricardo Lima participará como palestrante do Ciclo de Palestras do Paraty Eco Festival (16 a 19 de outubro de 2014). Pedimos que falasse aqui brevemente sobre a diferença entre artesanato e arte popular. Mesmo considerando o assunto complexo demais para uma “breve fala”, disse: “Para mim, são coisas radicalmente distintas. O termo ‘artesanato’ se refere ao processo de feitura de um objeto - feito à mão no caso, em oposição a ‘objeto industrial’, enquanto ‘arte’ se refere ao campo de significado do objeto. As duas coisas são distintas e não precisam estar em oposição. Não hierarquizo artesanato e arte popular.”



FONTE:http://paratyecofashion.com.br