Origem A Baleia
Artista: Liliana González Rojas
I.
No início, o Grande Espírito dormia no nada. Seu sono durava desde a eternidade. Subitamente, ninguém sabe porque, nessa noite, ele se encheu de um desejo enorme. E com a Luz foi sonhar.
Foi o primeiro sonho. O primeiro caminho. Muito tempo, a Luz procurou sua realização, seu êxtase. Quando finalmente a encontrou, ela viu que tratava-se da Transparência.
E a Transparência reinou.
Mas por sua vez, tendo explorado todos os jogos de cores que podia imaginar, a Transparência encheu-se de um desejo enorme. Ela que era tão leve, sonhou de se tornar pesada. Foi então quando apareceu a Pedra.
O segundo sonho, o segundo caminho. Muito tempo a Pedra procurou seu êxtase, sua realização. Quando finalmente a encontrou, ela se transformou em Cristal.
E o Cristal reinou.
Mas a sua vez, tendo explorado todos os jogos luminosos das suas agulhas de vidro, o Cristal encheu-se de um desejo de outra coisa que o sobrepesasse. Por sua vez, ele sonhou. Ele, que era tão solene, tão correto, tão duro, sonhou com a ternura, a maciez e a fragilidade. Foi então quando apareceu a Flor.
O terceiro sonho, o terceiro caminho. Muito tempo a Flor, esse sexo de perfume, procurou a sua realização, seu êxtase. Quando finalmente o encontrou, ela viu que era a Árvore.
E a Árvore reinou sobre o mundo.
Más vocês já conhecem as arvores. Não se encontram maiores sonhadores do que eles. A Árvore por sua vez, sonhou. Ela, que estava tão ancorada na terra, sonhou de percorrer livremente, de vagar, através dela. Então a Minhoca apareceu.
Foi o quarto sonho, o quarto caminho. Muito tempo a minhoca procurou sua realização, seu êxtase. Na sua procura, El tomou, uma a uma, a forma de porco-espinho, águia, puma, cascavel. Durante muito tempo ela foi palpando até que um belo dia, numa imensa explosão... no belo meio do oceano... um estranho ser surgiu, em que todos os animais da terra encontram sua realização.
A Baleia.
Muito tempo esta montanha de música reinou no mundo. E tudo poderia ter ali parado pois era tão belo. Só que... depois de ter cantado durante luas e meias luas, a Baleia por sua vez, não pode se conter de se encher de um desejo louco. Ela que estava fundida no mundo, sonhou de se livrar. Então! Então bruscamente!... nós aparecemos, os humanos.
Somos o quinto sonho, em caminho para a quinta realização, para o quinto êxtase.
II.
Na mínima cor, toda luz esta inserida. Em toda pedra no meio do caminho, ha um cristal que dorme. No mais pequeno ramo de erva, esta adormecido um baobab. Em todas as minhocas, se esconde uma baleia. E as baleias, conhecem o nosso caminho. Existimos em quanto elas também nos sonham.


(do livro, Le Cinquième Rêve, de Van Eersel. A lenda é de origem Cherokee).

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