"CAAGÜY PORA"


Gleyson Rocha
Acrílico sobre madeira (120 x 80 cm)
"Caagüy Pora" é uma das manifestações antropomórficas mais sublimes e ativas da rica cosmogonia guarani. Trata-se de um "espírito" ou ente que protege as matas, os animais e os cursos d’água onde vive.

De esplendorosa beleza feminina, "esbelta como uma palmeira e ligeira como um cervo.(...) divaga por seus domínios com seus cabelos ao vento exalando o fresco perfume da mata logo depois da chuva. Com sua cintura delicada e seios juvenis, ela caminha junto aos regatos cercada por miríades de borboletas coloridas sem que seus pés, encimados pelos finos tornozelos, deixem pegadas na areia molhada"
(J. Natalício González, in "Processo y formación de la Cultura Paraguaya" - Editorial Guarania - Asunción 1948).

Apesar destas belas e amáveis características, "Caagüy Pora" aplica castigos aos que violam as leis naturais dos seus domínios: aos caçadores impiedosos, que retiram da floresta mais do que precisam para viver, e aos que profanam os cursos d’água com seus dejetos, ela certamente causará desgostos e prejuízos, podendo até aparecer-lhes na forma de um terrível gigante.

"Graças a ela, a vida dos rios e florestas é eterna, renovada a cada dia, desde que o mundo é mundo, no sopro do vento, na vida dos bichos e plantas e na sua grande representação: o curso infindável das águas". (idem, ibidem).


VIEMOS NAS ASAS DOS DEUSES
Segundo o relato do índio hopi "White Bear"

Gleyson Rocha
Acrílico sobre Gamela de madeira
Em conformidade com outras narativas, o relato de "White Bear" aponta para a ajuda dos deuses e de semi-deuses durante a emigração do seu povo. Segundo a lenda, os Hopi teriam vindo de terras muito ao sul depois de uma catástrofe destruir a grande cidade onde eles viviam com outros povos antigos.
Esta cidade mítica era dirigida pelos "Katchinas": sábios que nela mantinham escolas onde os índios aprendiam desde os segredos da agricultura até astronomia, uma verdadeira universidade pré colombiana.

Fala "White Bear":
"Nem todos os homens do quarto mundo que viviam em Táotoóma eram hopis. É preferível falar que os nossos antepassados estavam entre eles. Da grande massa de imigrantes, somente foram chamados de hopis os que acabaram por chegar a Oraibi e apenas depois de lá terem sido recebidos e aceitos" (...)

O mito fala de emigração nas asas dos Deuses:
Enquanto a grande cidade submergia, a migração ocorreu por mar, em pequenas embarcações e grandes navios dos "Katchinas". Mas as pessoas que precederam a todos, os líderes do povo hopi, foram ajudadas pelos Deuses e vieram em "grandes passáros", "conchas " ou "escudos voadores.

Fonte: (Joseph F. Blumrich, "Kasskara e os Sete Mundos")


ESTAS OBRAS FAZEM PARTE DA EXPOSIÇÃO COLETIVA

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Dias 10, 11 e 12 de novembro de 1998,
na Igreja da Matriz de Paraty.


Organizada pela Associação Artística Cultural Nhandeva
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